FONTES: Guerras do Ópio (1856-1862)
12 março 1856
OFÍCIO N.º 371 DE 12 DE MARÇO DE 1856
DO GOVERNADOR DE MACAU, ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES, PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS RELAÇÕES COM O VICE-REI DE CANTÃO.
Arquivo Histórico Ultramarino. SR: 005 - Correspondência de Macau e Timor. 1856. AHU - ACL - SEMU - DGU - 005, Cx. 0022.
12 abril 1856
OFÍCIO N.º 379 DE 12 DE ABRIL DE 1856
DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE A CONCESSÃO DE UM ARMAZÉM NA ALFÂNDEGA DE MACAU AO GENERAL FRANCÊS GUÉRIN.
Arquivo Histórico Ultramarino. SR: 005 - Correspondência de Macau e Timor. 1856. AHU - ACL - SEMU - DGU - 005, Cx. 0022.
12 abril 1856
OFÍCIO N.º 386 DE 12 DE ABRIL DE 1856
DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS OBRAS DE RECONSTRUÇÃO NA CIDADE APÓS O INCÊNDIO DE JANEIRO.
Arquivo Histórico Ultramarino. SR: 005 - Correspondência de Macau e Timor. 1856. AHU - ACL - SEMU - DGU - 005, Cx. 0022.
7 maio 1856
OFÍCIO N.º 393 DE 7 DE MAIO DE 1856
DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS OBRAS DE RECONSTRUÇÃO NA CIDADE E O CONFLITO INTERNO NA CHINA.
Arquivo Histórico Ultramarino. SR: 005 - Correspondência de Macau e Timor. 1856. AHU - ACL - SEMU - DGU - 005, Cx. 0022.
7 junho 1856
OFÍCIO N.º 405 DE 7 DE JUNHO DE 1856
DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS OBRAS DE RECONSTRUÇÃO NA CIDADE E A RECUSA DAS AUTORIDADES CHINESAS EM ACEITAR A NOMEAÇÃO DO NOVO CÔNSUL DE PORTUGAL EM CANTÃO.
Arquivo Histórico Ultramarino. SR: 005 - Correspondência de Macau e Timor. 1856. AHU - ACL - SEMU - DGU - 005, Cx. 0022.
Na transcrição dos documentos presentes nesta secção, o grafismo foi atualizado. Respeitaram-se as maiúsculas, os sinais de pontuação, as abreviaturas e os nomes próprios chineses, tal como aparecem no original.
Hello, World!
12 março 1856
OFÍCIO N.º 371 DE 12 DE MARÇO DE 1856, DO GOVERNADOR DE MACAU, ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES, PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS RELAÇÕES COM O VICE-REI DE CANTÃO.
(…)
As obras da reedificação do Bazar vão progredindo com muita atividade; as casas estão-se fazendo com mais solidez do que dantes e mais altas e espaçosas. Estas circunstâncias mostram que o Comércio está em estado florescente.
(...)
O Vice-Rei de Cantão continua a negar-se a reconhecer os Cônsules ultimamente nomeados para Cantão e Fucháo, e demora-se extraordinariamente a responder aos meus Ofícios; o mesmo me dizem que se dá com os mais funcionários estrangeiros que lhe escrevem. Acontece o que sempre receei, que no caso do Governo Imperial vencer a rebelião, se mostraria mais hostil para com os estrangeiros, não só pela ufania com que ficariam pela vitória obtida, como pela impolítica dos Ingleses, e Americanos que se mostraram tão inclinados para com os rebeldes em consequência da ilusão em que os fizeram cair os seus Missionários com as notícias que espalharam do Cristianismo dos rebeldes. Os Chinas que consideram todos os estrangeiros do mesmo modo envolvem-nos indistintamente nos seus ódios, e só se contêm pelo medo das forças que cada um pode apresentar.
(…)
12 abril 1856
OFÍCIO Nº 379 DE 12 DE ABRIL DE 1856, DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE A CONCESSÃO DE UM ARMAZÉM NA ALFÂNDEGA DE MACAU AO GENERAL FRANCÊS GUÉRIN.
Tendo o Governo de Sua Majestade o Imperador dos Franceses determinado fazer na China um depósito de mantimentos e sobressalentes para a sua Esquadra, e tendo o Almirante Guerin escolhido o porto de Macau para estabelecer o seu depósito, mas não podendo encontrar armazéns que pudesse alugar, mandou-me pedir pelo seu Chefe de Estado maior um da extinta Alfândega pretendendo pagar pelo seu aluguer. Respondi a Sua Exª que um armazém (que escolhesse) estava às ordens de S. Ex.ª; mas recusei aceitar preço por ele, dizendo que estava certo de interpretar fielmente as intenções do meu Governo prestando a Sua Majestade o Imperador dos Franceses o auxílio de que pudesse dispor este Estabelecimento. Julgo que V. Ex.ª aprovará este modo de proceder.
Documentos apensos ao Of. n.º 379 de 12 de Abril de 1856
N.º 1197
Sua Majestade El-Rei Manda pela Secretaria &ª participar ao Governador da Província de Macau Timor e Solor que Houve por bem aprovar a deliberação que o Ilm.º Governador tomara, e de que dá conta em seu Ofício n.º 379 de 12 de Abril último, de haver posto à disposição do Almirante francês Mr. Guerin, um dos Armazéns da extinta Alfândega da Cidade de Macau, para nele estabelecer um depósito de mantimentos e sobressalentes para a Esquadra Francesa dos Mares da China. - Paço, em 30 de Junho de 1856.
12 abril 1856
OFÍCIO Nº 386 DE 12 DE ABRIL DE 1856, DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS OBRAS DE RECONSTRUÇÃO NA CIDADE APÓS O INCÊNDIO DE JANEIRO.
(…)
Este Estabelecimento continua em sossego, não acontecendo contudo o mesmo na Província de Cantão, tendo em Chen-Iun aparecido um bando assaz numeroso de rebeldes que pode bater as tropas imperiais que contra ele foram mandadas de Cantão, matando-lhe o General Comandante, e mais alguns Mandarins subalternos.
A reedificação do Bazar progride com admirável rapidez e espero que no ano de 1857 só haja para fazer lembrar o grande incêndio de Janeiro deste ano o melhoramento na construção das lojas e casas e embelezamento das ruas. Muitas lojas já se têm aberto; o Caminho à beira mar vai muito adiantado e confio que se acabe até ao fim do corrente ano a não sobrevir alguma calamidade não esperada.
Tenho continuado a aumentar o número de foreiros à Fazenda, já fazendo tirar títulos os Chinas possuidores de terrenos antigos, já aforando os terrenos entulhados de novo, de que já temos uns 10 mil covados quadrados portugueses, que também se tem dado em indemnização dos terrenos para as novas ruas que abri.
A receita vai melhorando, posto que as lojas, e casas que arderam e que já se reedificaram ainda não paguem impostos em virtude das disposições da minha Portaria de 11 de Janeiro pela qual concede isenção dum semestre de imposto àqueles que comecem a reconstrução da suas casas dentro de três meses. Contudo como os exclusivos estão novamente organizados, alguns foros se têm recebido, e a cobrança das décimas dos Cristãos já principiou, ainda reduzo mais a mesada, não sacando este mês senão por £ 200, e espero em breve deixar de sacar totalmente, porque também espero que antes que acabe o ano comecem os pagamentos dos impostos do Bazar.
Aparecem novamente piratas nas proximidades de Macau.
(…)
Hello, World!
7 maio 1856
OFÍCIO N.º 393 DE 7 DE MAIO DE 1856, DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS OBRAS DE RECONSTRUÇÃO NA CIDADE E O CONFLITO INTERNO NA CHINA.
(…)
Depois do meu último Ofício que escrevi a V. Ex.ª pela mala passada nada tem ocorrido notável nesta Cidade, continuando com muita atividade as obras do Bazar, tendo-se já reaberto muitas lojas, mas que em consequência da isenção que lhes concedi de seis meses de tributos só começarão a pagar do 1.º de Outubro em diante. Contudo como os exclusivos marcham regularmente, e se têm cobrado foros novos, e antigos, e as décimas dos Cristãos deixo de sacar mesada alguma sobre a Agência Financial, e espero não ter de tornar a recorrer a esse meio a não ser que sobrevenha alguma nova calamidade.
(…)
Pouco se sabe da rebelião na Província de Cantão em que falei no meu último Ofício – do norte diz-se que os insurgentes têm obtido vantagens, e que os rebeldes de Nanquim tendo batido os Imperialistas ameaçam Soocháo.
(…)
Hello, World!
7 junho 1856
OFÍCIO N.º 405 DE 7 DE JUNHO DE 1856, DO GOVERNADOR ISIDORO FRANCISCO GUIMARÃES PARA O MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA MARINHA E ULTRAMAR, MARQUÊS DE LOULÉ, SOBRE AS OBRAS DE RECONSTRUÇÃO NA CIDADE E A RECUSA DAS AUTORIDADES CHINESAS EM ACEITAR A NOMEAÇÃO DO NOVO CÔNSUL DE PORTUGAL EM CANTÃO.
(…) e hoje tenho a satisfação de poder comunicar a V. Ex.ª que o Bazar se acha quase todo reedificado dum modo muito mais sólido, cómodo e rico, com as lojas abertas novamente, e cheias de mercadorias. As poucas casas que ainda não foram reconstruídas são sobejamente compensadas pelas edificadas nos terrenos novos. A estrada que delineei à beira mar vai muito adiantada e ficará pronta antes do fim do ano. Parece impossível como Macau sofrendo uma perda de mais de milhão e meio de patacas que o incêndio devorou, poude gastar em menos de 5 meses mais de 600 mil patacas na reedificação!
Em consequência da isenção de 6 meses de tributos que prometi aos que começassem a reedificação das suas casas dentro de três meses depois do incêndio só começaremos a receber os mesmos tributos depois do Outubro próximo, mas temos segura a futura receita, e como os foros têm aumentado, e os preços dos exclusivos se estão cobrando regularmente continuo a não sacar mesada sobre Londres, como participei a V. Ex.ª pela última mala que deixava de fazer.
Este Estabelecimento goza de sossego não tendo ocorrido novidade alguma. As Autoridades Chinesas continuam negando-se ao reconhecimento do Cônsul que nomeei para Cantão, e posto que com grande demora respondem aos meus Ofícios, o que contudo não fazem ao Ministro Americano, que tendo ido a Cantão em Março próximo passado numa Corveta de guerra e tendo escrito ao Vice-Rei anunciando a sua chegada, e pedindo uma conferência, ainda até hoje não teve resposta a esse Ofício nem a outros que lhe têm dirigido de Macau para onde voltou depois de esperar durante 20 dias a resposta em Whampoa.
Do norte nada consta positivamente parecendo que a guerra Civil continua sem acontecimento importante para um ou outro lado.
Os câmbios continuam com pouca alteração.
(…)